EXU



Primeiro Orixá a ser louvado no candomblé, guardião, protetor, sentinela das casas de candomblé.

Quando se fala em abertura de caminho ou qualquer coisa que se queira, se começa por Exu.

Representa o princípio do movimento. Após acionado, em relação a qualquer movimento, se faz necessário controlar Exu.

Tudo é movimento, então, sem Exu nada existiria. Os ventos, as águas, o planeta, a luz do sol, e até mesmo o movimento do sangue em nossas veias são impulsionados por ele.

Ele come tudo que pode e que é quente. Também a sexualidade, outra fome humana, está associada a Exu.

Morador das encruzilhadas (ponto de convergência de todos os caminhos), possuidor de um gênio travesso, controvertido, fazendo tudo que lhe pedem, Exu não diferencia o bem do mal. Exu pode ir a qualquer lugar: passado, presente e futuro.

Exu possui um lado bom, se tratado com consideração, reage favoravelmente, mostrando-se serviçal e prestativo. Se, pelo contrário, as pessoas se esquecerem de lhe oferecer sacrifícios e oferendas, podem esperar todas as catástrofes. Exu revela-se, talvez, desta maneira, o mais humano dos Orixás, nem completamente mau, nem completamente bom.

Exu tem qualidades, é dinâmico, jovial, constituindo-se assim, um Orixá protetor, havendo mesmo pessoas na África que usam orgulhosamente nomes como: Ésúbiyii ( concebido por Exu ) ou Ésútósin (Exu merece ser adorado). Historicamente, Exu teria sido um dos companheiros de Oduduá, quando da sua chegada a Ifé, e chamava-se Ésú Obasin. Tornou-se mais tarde um dos assistente de Orunmilá,, que preside a adivinhação pelo sistema de Ifá. Segundo Epega , Exu tornou-se Rei de Keto sob o nome de Exu Aláketu . Exu era quem supervisionava as atividades do mercado do Rei em cada cidade: o da cidade de Oyó era chamado de Ésú Akesan.

Exu é o primeiro Orixá a ser louvado nas casas de candomblé. Exu é o guardião dos tempos, das casas, das cidades, das pessoas e também serve como intermediário entre os homens e os deuses. Por essa razão é que nada se faz sem ele e sem que oferendas lhe sejam feitas, antes de qualquer outro Orixá. Por outro lado, conta-se, que Exu, numa grande disputa com o grande Orixá, para saber qual dos dois era mais antigo e, em conseqüência, o mais respeitado. Oxalá provou sua superioridade durante um combate cheio de peripécias. Ao fim ele apoderou-se da cabacinha que encerra o poder de Exu, transformando-o em seu servidor durante uma competição da mesma natureza entre Exu e Obaluaiê, foi este último que saiu vencedor.